o jornal escolar ESIC

ESIC Teatro

O Contra-Regra, clube de teatro da Escola Secundária Inês de Castro, foi criado em 2004.

É constituído por alunos e ex-alunos da escola e tem como responsável Joana Félix, professora de Teatro, Dança e Educação Física. Teve, entre 2005 e 2015, a colaboração do ator/encenador Pedro Manana.

Tem uma atividade regular intensa que inclui a criação de um espetáculo por ano letivo e, desde 2008, a participação no Encontro Nacional de Teatro na Escola.

Por este grupo já passaram largas dezenas de alunos, alguns dos quais enveredaram por carreiras na área artística, como por exemplo a atriz Teresa Vieira, o realizador Luís Porto e a produtora Laura Milheiro.

CURRÍCULO
  • 2004 - Vem aí o Zé das Moscas de António Torrado - Associação Recreativa de Canidelo, Gaia 2005 - Frei João Sem Cuidados - ESIC
  • 2005 - Até ao fim do mundo esta paixão - Associação Recreativa de Canidelo, Gaia 2006 - Teatro de rua de cariz popular - ESIC
  • 2006 - Sonho de uma noite de Verão de William Shakespeare - ESIC 2007 - Teatro de rua de inspiração medieval - ESIC
  • 2007 - Paragem de autocarro de Jaime Salazar Sampaio e É só isto, de Harold Pinter (1º CALE-SE, Festival Internacional de Teatro) - Associação Recreativa de Canidelo, Gaia
  • 2007 - As portas que Abril abriu, de Ary dos Santos - Associação Recreativa de Canidelo, Gaia
  • 2007 - Peer Gynt de Henrik Ibsen Escola
  • 2008 - Crimes Exemplares com base em textos de Max Aub (2º CALE-SE, Festival Internacional de Teatro) - Associação Recreativa de Canidelo, Gaia 2008 - Teatro de rua de inspiração medieval - Associação Recreativa de Canidelo, Gaia
  • 2008 - Participação no XXIX Encontro Nacional de Teatro na Escola (ETE) - Vila Real de Santo António 2008 - Três Irmãs de Anton Tchekhov - ESIC
  • 2009 - Três Irmãs de Anton Tchekhov - Mosteiro de S. Bento da Vitória, Porto
  • 2009 - Co-organização do XXX ETE - Porto/Gaia
  • 2009 - 5 sketches de Harold Pinter - Cine-teatro Brazão, Gaia
  • 2009 - 5 sketches de Harold Pinter - Pequeno Auditório do Rivoli, Porto
  • 2010 - Participação no XXXI ETE - Alvaiázere
  • 2010 - Participação no projecto APAV 4D, filmagem de DVD - Associação de Apoio à Vítima, Porto
  • 2011 - Participação no XXXII ETE - Almada
  • 2011 - O beijo no asfalto, de Nelson Rodrigues - Fórum Romeu Correia, Almada
  • 2011 - O beijo no asfalto, de Nelson Rodrigues - Conservatório de Música do Porto
  • 2012 - Participação no XXXIII ETE - Lisboa
  • 2012 - B.A.R.C.A., a partir do Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente - ESIC
  • 2012 - Participação no XXXIV ETE com apresentação de espectáculo - Serpa
  • 2013 - B.A.R.C.A., a partir do Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente - Cineteatro Municipal de Serpa 2013 - B.A.R.C.A., a partir do Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente (7º CALE-SE, Festival Internacional de Teatro) - Associação Recreativa de Canidelo, Gaia - Prémio de Melhor Atriz e nomeação para Melhor Encenação
  • 2014 - Participação no XXXV ETE - Fundão e Penamacor
  • 2015 - Participação no XXXVI ETE - Funchal
  • 2015 - As Criadas, de Jean Genet, com prólogo de Pedro Guilherme-Moreira - Teatro Municipal Baltazar Dias, Funchal
  • 2015 - As Criadas, de Jean Genet, com prólogo de Pedro Guilherme-Moreira - Armazém 22, Gaia
  • 2016 - Organização do XXXVII ETE - Gaia
  • 2016 - Por essa escada forrada de palavras subimos diariamente e ao chegar ao patamar prosseguimos, a partir de peças curtas de Jaime Salazar Sampaio - Auditório Municipal de Gaia
  • 2016 - Por essa escada forrada de palavras subimos diariamente e ao chegar ao patamar prosseguimos, a partir de peças curtas de Jaime Salazar Sampaio - ESIC
  • 2017 - Casado à Força de Molière - Associação Recreativa de Canidelo
  • 2017 - Participação no XXXVIII ETE - Moimenta da Beira
  • 2017 - Casado à Força de Molière - Auditório Municipal de Moimenta da Beira
  • 2018 - Inércia - a partir do teatro de Fernando Pessoa - ESIC


ESIC palavras dos alunos

POESIA



PROSA

Textos de alunos construídos a partir de uma imagem, Professora Manuela Morais





ENSAIOS / OPINIÕES

Cruel e desumana
Sofia Tavares, ex-aluna ESIC, bióloga


- Boa tarde, Senhor Porco, queria duas coxas de humano. Sem gordura por favor, pois a minha mulher está de dieta.
- Ora, vou dar-lhe aqui a de um atleta, que é bem tenrinha!
“Que mundo bizarro seria este?” Diríamos nós, humanos. E porque não funcionam assim as coisas? Talvez porque somos nós que temos o poder, a inteligência, a esperteza, a racionalidade, a consciência. Então, não era suposto, já que temos esses atributos todos, termos a noção que não devemos provocar sofrimento nos animais? Seja pela diversão (tou-radas, caça, etc) ou pela alimentação? Pois bem, mas então e se eles não sofrerem? Impossível por essencialmente dois fatores – (1) Excesso de população que consome produtos de origem animal, (2) Falta de espaço para produção de tantos animais em boas condições. Por isso, engane-se quem pensa que os animais que comemos não sofrem. Engane-se quem pensa que as fêmeas (no caso dos porcos por exemplo), não vivem toda a sua vida grávidas, num cubículo 1 cm para esquerda, 1 cm para a direita, 1 cm para a frente e 1 cm para trás. E os machos? Com sorte são mortos logo à nascença e vão parar à tão famosa Mealhada. Com azar, vivem mais uns anos em condições miseráveis.
É isto a verdadeira indústria animal. Cruel e desumana.



Feminicídio
Carlota Pereira, ex-aluna da ESIC, International Politics/Spanish, UK

Feminicídio. O ato de matar uma mulher por ser mulher. Posto nestes termos, parece algo bizarro. Explico: chama-se feminicídio ao homicídio de uma mulher pelo seu marido; ou por um estranho; ou pelo amante; ou de uma adolescente pelas mãos do seu namorado.
Entenda-se que se uma mulher é morta na consequência de um assalto, tal como poderia ser morto um homem, não se considera feminicídio, pois este é consequência da violência contra as mulheres que deve ser compreendido num contex-to patriarcal. Em 2018, segundo o observatório da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), fo-ram registados em Portugal 24 feminicídios, mais 4 do que no ano anterior. A maioria das vítimas tinha idade superior a 65 anos.
A que se deve então este fenómeno? Na sua maioria, os homens portugueses assassinam mulheres por ciúme, receio de abandono, separação. Os motivos que os levam a matar uma mulher estão relacionadas com possessão, controle e ego. O abuso de álcool e drogas aumenta essa violência.
Nos casos de vítimas com idade superior a 65 anos, existe uma forte indicação que terão sido alvo de prolongada violên-cia doméstica. Não obstante, em Portugal, a violência doméstica ainda é um problema visto como privado no qual nin-guém deve interferir, algo não esperado num país que se considera dos mais seguros do mundo. Os métodos de proteção de vítimas deixam ainda muito por desejar, pois apostam quase exclusivamente em casas de abrigo para mulheres vítimas de violência. E porque é que este método não resolve só por si o problema?
Primeiro, porque é a vítima que é retirada, isolada e humilhada quando seria extremamente importante que não tivesse de fugir. O agressor é que deveria ser imediatamente removido de casa e ficar proibido de se aproximar da vítima.
Segundo, a mentalidade portuguesa funciona, infelizmente, ainda muito ligada a estereótipos e condutas machistas que privilegiam o homem e policiam a mulher: por exemplo, em casos recentes de violações e violência contra a mulher, não só os agressores têm sido “desculpabilizados” e sentenciados a penas suspensas, como alguns juízes têm proferido afir-mações polémicas que, claramente, se baseiam em opiniões pessoais de foro sexista que culpabilizam as vítimas. Conse-quentemente, as vítimas têm menos confiança na justiça para acusar os agressores, resta-lhes aguentar ou apresentar queixa e fugir para uma casa de abrigo.
Terceiro, é necessário que se implementem medidas para certificar que a vítima está verdadeiramente segura e os pro-cessos sejam mais eficientes e rápidos. É também importante que se criem projetos que eduquem crianças e jovens adul-tos sobre a violência doméstica, o abuso sexual e o respeito que deve haver perante as mulheres. É igualmente relevante que cada indivíduo se questione e analise o seu comportamento face a este problema, que não se limite a pensar que este é um mal de outros e ignore que de algum modo as suas próprias atitudes contribuem para uma propagação do proble-ma, por muito pequenas que estas possam parecer.
Portugal é um país com uma história patriarcal que deixou mais do que vestígios no nosso presente. Legou mentes dis-torcidas.

É essencial que cada um de nós procure melhorar e ajude a diluir hábitos que não corres-pondem ao tipo de país que trabalhamos para ter. Isto inclui-nos a nós, Mulheres, que tam-bém propagamos preconceitos e juízos face a outras mulheres e a nós próprias.


OUTROS

A monitorização destas atividades passou pela aplicação de diferentes questionários para avaliar quer as AAE asseguradas pelos professores de Português, quer as AAE asseguradas pelos professores de Matemática. Esses questionários foram aplicados aos alunos e aos professores envolvidos, de modo a apurar o seu grau de satisfação.


ESIC ecologia e Vida

ESTUÁRIO do DOURO


Convidamos Nuno Gomes Oliveira, fundador em 2009 da RNLED (Reserva Natural Local do Estuário do Douro) para escrever sobre esse projeto visionário do qual todos usufruímos. Em 1974, fundou Núcleo Português de Estudo e Proteção da Vida Selvagem. Em 1983, foi autor dos projetos Parque Biológico de Gaia, Parque Biológico de Vinhais, Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto, Reserva Natural Local do Estuário do Douro e de muitos outros. Tem diversos livros e dezenas de artigos publicados. Um pioneiro. É doutorado em Biologia pela Universidade de Coimbra e licenciado em Biologia e Ecologia Humana pela Universidade de Bordéus.

Flamingos



O inverno terminou e, no Estuário do Douro, o dia nasce. As Andorinhas-do-mar rumam às ilhas do mar do Norte, Pilritos e Tarambolas partem para a tundra ártica, um Garajau-comum ruma à Laguna de Veneza... As aves que ficam, afadigam-se para acasalar e nidificar. Vão ser longos meses de canseiras a procurar o lugar mais seguro e abrigado para fazerem o ninho, mais um mês para chocar os ovos, seguindo-se semanas a ensinar as suas crias a comer e a voar.

Nas arribas da antiga Seca do Bacalhau, um casal de Pica-peixes cavou o ninho na terra, e alimenta os filhotes com os pequenos peixes que captura nas águas baixas do sapal do Estuário. Nas matas circundantes, a Águia-de-asa-redonda fez o ninho num alto eucalipto, e aproveita os restos de peixe e outros resíduos que a maré traz para alimentar as crias.



Nas areias do Cabedelo, uma dúzia de casais de Borrelho-de-coleira-interrompida chocam os seus ovos em recôncavos da areia para, pouco depois, ensinarem a prole a alimentar-se dos abundantes insetos e outros invertebrados que por ali pululam e a protegerem-se dos predadores. No pequeno sapal, vários casais de Pato-real mostram já as suas numerosas crias, que se escondem entre os juncos, onde a Galinha-de-água também fez o seu ninho.

Discretos, nos silvados do Vale de S. Paio, uma Carriça, um Melro e um Chamariz denunciam a sua presença pelo canto, e um Peneireiro aproveitou as ruinas da antiga Seca do Bacalhau para nidificar. Por todo o lado os cantos das aves anunciam o início de um novo ciclo de vida no Estuário.





Nas areias que a maré cobre e descobre, Garças-reais e Gaivotas ainda sem idade para criarem, procuram alimento e descanso. No rio, um golfinho, da espécie Roaz-corvineiro, faz ocasionalmente a sua aparição. O Sol desce agora, sobre o Oceano, e inúmeras Gaivotas juvenis, nascidas em anos anteriores, regressam ao Estuário para dormir, depois de uma jornada em busca de alimento nas praias e lixeiras a Sul e a Norte do Douro.



Cai a noite no Estuário do Douro
No breu, ouve-se um pio que denuncia a presença do pequeno Mocho-galego procurando um ou outro Escaravelho-rinoceronte pelas areias. Pequenos morcegos, incansáveis nos seus voos acrobáticos, percorrem o espaço sobre o sapal em constante busca de mariposas.
Com o fim da primavera e entrado o verão, chegam as primeiras jovens Gaivotas vindas das colónias das Ilhas Cies, em Pontevedra, que aqui procuram resguardo; juntando-se às nascidas nos telhados de Gaia e do Porto e às primeiras a chegarem do Norte da Europa que, com determinação, fazem o seu voo migratório para sul.




A Lavandisca-amarela, as Andorinhas-do-mar, os Chascos e muitas outras espécies retemperam forças no sapal e entre a vegetação dos areais.
Um tímido bando de jovens Flamingos visita o Estuário por algumas horas antes de prosseguir na busca de um mais amplo local de invernada. A sua presença, devido à dimensão, silhueta peculiar e ao colorido da sua plumagem, não passa despercebida a observadores e fotógrafos da natureza.
Com o fim do verão, mais e mais aves usam o Estuário para descansar e alimentar-se dos invertebrados das areias húmidas, que a maré cobre e descobre. Vários Colhereiros, possivelmente nascidos em Marquenterre, no Norte de França, preparam-se para migrar para África.

Moleiro-grande

Algumas espécies de elevado estatuto de conservação como o Tartaranhão-ruivo-dos-pauis, em migração para sul, também aproveitam o Estuário do Douro para se refugiarem durante algum tempo.
Uma Águia-pesqueira, nascida na Escócia, seguida por satélite, passa alguns dias no Estuário a caçar Tainhas, antes de partir para África onde o seu instinto a conduzirá às margens do Zambeze ou ao Vale de Ferlo, no Senegal, para no ano seguinte regressar aos seus lugares de nidificação, nas costas mediterrânicas ou nos lagos das florestas do Norte da Europa.


Águia Pesqueira



O colorido Pisco-de-peito-azul, que nasceu nas matas de vidoeiros do Centro e Norte da Europa, deambula por entre os arbustos, antes de rumar ao Sul do Sara onde irá passar o inverno, e bandos de Limícolas percorrem as vasas à procura de invertebrados.

O Falcão-peregrino, campeão de velocidade, talvez nascido lá para os lados da Serra das Banjas, em Gondomar, depois de fazer um reconhecimento do terreno, persegue e captura uma Gaivota-de-asa-escura mais desprevenida.

A temperatura desce, os ventos e as chuvas fazem-se sentir, e alguns resistentes permanecem no Estuário, fugidos aos rigores dos invernos nórdicos: os pequenos e irrequietos Pilritos-das-praias, os Fuselos, grandes migradores provenientes da longínqua tundra siberiana, as discretas Narcejas ou os corpulentos Maçaricos-reais.

Oriundos do outro lado do Atlântico, vindos da Terra de Labrador, discretamente surge no estuário o Perna-amarela-pequeno e a Gaivota-do-delaware.

Igualmente raro entre nós proveniente da distante Península de Taymyr no Norte da Sibéria, descansa no estuário usufruindo das suas condições de segurança o Pilrito–de-colete.


Os numerosos Corvos-marinhos voam até à Barragem de Crestuma-Lever, onde mais facilmente se alimentam das tainhas que afluem à eclusa de navegação e as abundantes Garças-reais petiscam peixes e detritos que a água traz, na foz da Ribeira da Granja, do lado do Porto, ou nas areias descobertas pela maré.

Do lado de Gaia, junto à marina da Afurada/Canidelo, uma Lontra deixa o Vale de Santarém e mergulha nas águas do Douro à procura de peixe.

Volta meia volta, um mar mais tempestuoso faz com que se abriguem no Estuário do Douro aves de mar alto; uma ou outra Torda-mergulheira, um ou outro Arau, Patos-pretos ou a pelágica Pardela, com os seus voos circulares sobre a ribeira de Gaia.

Mas o inverno está a terminar, e para o Norte voam apressadas as últimas aves migradoras, rumo às florestas, estepes e tundras, onde vão iniciar um novo ciclo de vida.

Com a noite, a pouco comum Coruja-do-nabal é das últimas a partir, depois de ter passado o inverno no Mediterrâneo ou no Norte de África.
É assim o Estuário do Douro, sempre com vida renovada, à espera de quem a queira observar, fotografar e ajudar a conservar.

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Com uma paisagem urbana como fundo, quer do lado de Gaia quer do lado do Porto, este espaço amplo e “selvagem” tem particular valor para as duas cidades, e é um importante ponto de apoio (“área de serviço”, como lhe tenho chamado) para as migrações de muitas espécies de aves.

A importância ornitológica do Estuário do Douro é conhecida de longa data; tanto William Tait nos seus artigos publicados na revista inglesa “Íbis” (Tait, 1887), e no seu livro “The birds of Portugal” (Tait, 1924), como o Dr. Rosa de Carvalho , nas suas cartas ao Prof. Barboza du Bocage , enviadas entre 1863 e 1866, fazem inúmeras referências à riqueza da avifauna do Estuário do Douro.

O casal inglês William Auther Tait e Dorothy Maria vieram para Portugal em 1840, e tiveram dois filhos: William e Alfred. William Chester Tait (1844- 07/04/1928), nascido no Porto, adquiriu a “Quinta do Meio”, na Rua de Entre Quintas, onde construiu a casa, hoje conhecida por ”Casa Tait”, na qual viveu deste 22 de abril de 1900. Com o irmão, dirigiu a casa comercial Tait & Cª. esteve, ligado ao vinho do Porto (Quinta dos Murças – Régua) e foi agente da Royal Marine Steam Packet Co. Foi um notável naturalista amador, que chegou a corresponder-se com Charles Darwin, a quem enviou exemplares de plantas-carnívoras da Serra de Santa Justa. O naturalista inglês Collingwood Ingram, conhecido como Cherry Ingram (1880–1981) dedicou-lhe em 1913 uma subespécie de Chapim-rabilongo, o Aegithalos caudatus taiti, existente no Sul e SW de França, NW de Espanha e Portugal. O irmão Alfred Wilby Tait,(25/10/1847-15/03/1917) que recebeu de D. Carlos, em 11/06/1869, o título de Barão de Soutelinho foi, também, um notável naturalista amador, particularmente botânico, e estudou a flora do Gerês, onde tinha casa. Geoffrey Murat Tait (25/03/1889-25/09/1972), filho de Alfred, incitou o seu tio William a publicar o “Birds of Portugal” e ajudou-o nesta obra. Também ele se dedicou ao estudo das aves, tendo publicado na revista Ardeola, da Sociedade Espanhola de Ornitologia, quatro trabalhos sobre aves anilhadas e recuperadas em Portugal desde 1954 a 1961. Por isso recebeu, em 1966, a Medalha Tucker, concedida pelo British Trust for Ornithology, por relevantes serviços prestados em Portugal a esta ciência. Foi fundador e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Ornitologia, criada no Porto, em 1964, pelo Professor Joaquim Rodrigues dos Santos Júnior (1901-1990).

Em 1978, a filha de William Tait, Miss Muriel Rosalie Tait (05/08/1886-depois de 1978), amiga e testamenteira da famosa violoncelista portuense Guilhermina Suggia (por testamento de 2/6/1950), viria a vender a “Quinta do Meio” ao Município do Porto com a condição de nunca deixar de ser um jardim público com camélias, brincos-de-princesa e muitas outras plantas que os seus antecessores ali introduziram.

“Em 12 de Setembro de 1913 dois amigos meus viram uma Águia-pesqueira capturando peixe junto à foz do Douro”; esta é uma das inúmeras referências que o portuense William Chester Tait, um dos primeiros ornitólogos amadores de Portugal, faz ao Estuário do Douro no primeiro livro publicado sobre as aves de Portugal.


A parte final do Estuário do Douro é um amplo espaço “selvagem” com grande valor paisagístico para as duas cidades, e um importante ponto de apoio para muitas espécies de aves migratórias que o frequentam, pelo que de há muito era desejada a sua proteção.

No entanto, os bancos de areia e o estrangulamento provocado na foz do Rio Douro, pelo Cabedelo tornam perigosa a travessia da barra do Douro, tendo sido, historicamente, apontada essa razão como grande obstáculo à navegação fluvio-marítima no Rio Douro.

Já em 1567, por carta régia, era enviado ao Porto o arquiteto Simão de Ruão para estudar o melhoramento portuário do Douro e por volta de 1800 o Coronel Reinaldo Oudinot e o Capitão Luís Gomes de Carvalho desenvolvem obras na barra do Douro: construíram a “Meia Laranja” (1792-1805) e o molhe Luís Gomes de Carvalho (1820-1825), com 600 m, ainda existente na extremidade Norte do Cabedelo.

Depois de muitas peripécias, a proposta dos molhes do Douro, por iniciativa da APDL (Administração dos Portos de Douroe Leixoes), é retomada em 1987, agora com desenho da Hydrodinamics (Holanda) e em outubro de 88, por encomenda ao Instituto de Hidráulica e Recursos Hídricos da FEUP (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto).


Em dezembro de 90, no 1.º Congresso do Rio Douro, retomamos a proposta anteriormente apresentada ao Município de Gaia (Oliveira, 1983b) de criação de um “Parque Municipal do Estuário do Douro” (Oliveira, 1990), cuja concretização, em parte, começaria a ser implementada no terreno, com a colaboração do Parque Biológico, durante o mandato da vereadora Dr.ª Ilda Figueiredo, que teve o pelouro de ambiente na Câmara Municipal de Gaia de 1983 a 1991.


A partir de outubro de 1992, a APDL retoma o assunto dos molhes, o que leva o Prof. Bordalo e Sá, em 24/11/95, a declarar ao “Jornal de Notícias” que os “Esporões na Barra do Douro podem mexer em doente debilitado” .

Em 01/12/95 cabe-me pedir, no “Jornal de Notícias” uma “Área Protegida para salvar Estuário do Douro” e escrever, no “Público”, em 02/04/97 o texto “Requiem pelo Douro - II” , na sequência do primeiro “Requiem” escrito naquele jornal pelo Prof. Adriano Bordalo e Sá em 27/12/96.

Perante o anúncio feito em 14/01/98 pelo Ministro do Equipamento, Planeamento e Administração do Território, Eng.º. João Cravinho, da construção de molhes no Cabedelo, em fevereiro de 1998, um conjunto de personalidades conhecidas da vida portuense subscreve o “Manifesto contra os molhes da Foz”.

Entretanto, a obra de construção dos molhes do Douro seria lançada em 01/04/2004 com a assinatura do respetivo contrato pelo consórcio Somague/Irmãos Cavaco S.A. e pelo Secretário de Estado das Obras Públicas, no Castelo de São João, na Foz.

Orçada em 25 milhões de euros e com duração prevista de 28 meses (até 2006), as obras foram inauguradas em março de 2009, com uma derrapagem de 2,6 milhões de euros.
Entretanto continuou o mau uso desta área, com viaturas todo o terreno, cães à solta, e outras atividades perturbadoras da conservação da avifauna.

Para travar essas ações, em 27/12/2007 foi assinado um protocolo entre a APDL (Administração dos Portos do Douro e Leixões) e o Município de Gaia, através do Parque Biológico, que consagrou cerca de 12 ha do Estuário do Douro a refúgio ornitológico, e os colocou sob a gestão do Parque Biológico.

Criado o Refúgio Ornitológico do Estuário do Douro, as perspetivas de conservação da fauna e da flora melhoraram significativamente, mas foi necessária a publicação, em 24 de julho de 2008, do novo Regime Jurídico da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, para se iniciar de imediato o processo de classificação da área como “reserva natural local”, na sequência da deliberação da Câmara Municipal de Gaia de 29/98/2008, ficando, assim, integrada na Rede Nacional de Áreas Protegidas.

A 12 de fevereiro de 2009 é publicado no “Diário da República” o Regulamento da Reserva Natural Local do Estuário do Douro, estabelecendo-se assim para esta área um estatuto de proteção enquadrado no Regime Jurídico da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (Decreto-lei n.º 142/2008 de 24 de julho), surgindo assim como a primeira Reserva Natural de âmbito Municipal do país.

Teme-se, no entanto, que o assoreamento crescente provocado pela nova dinâmica do Estuário, resultante das obras da barra, possa acabar com grande parte da área de areias intertidais, fundamentais para a vida aquática.

IMAGENS
  • Analisar e compreender as necessidades educativas dos alunos, suas famílias e contextos sociais;
  • Contribuir para a diversificação de estratégias e métodos educativos de forma a promover o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos;
  • Articular as respostas e as necessidades educativas com os recursos existentes na escola e noutras estruturas e serviços.
GEOLOGIA - As praias

Os alunos estão integrados nas suas turmas de pertença, onde desenvolvem competências académicas e sociais, de acordo com o seu perfil de funcionalidade. Em contexto de apoio individualizado, prestado pelas docentes de educação inclusiva, no primeiro período começaram a ser apoiados 19 alunos desenvolvendo atividades diversificadas e implementando ações de apoio à melhoria das aprendizagens.

As Professoras de Educação Especial elaboraram algumas estratégias em conjunto com as Diretoras de Turma com estes alunos, como fichas de trabalho, planos de estudo, atividades de compensação.

As Professora de Educação Especial acompanharam ainda dois alunos, com Currículo Especifico Individual, um com 15 anos a frequentar o 7º ano e outro com 17 anos no 10º ano. Foram investidos métodos e técnicas pedagógicas adequadas e construídas de raiz, para estes alunos. Estabelecemos protocolos com a comunidade envolvente, nomeadamente com a Quinta do Fojo e com a lavandaria Bolas de Sabão para a concretização do PIT (Plano Individual de Transição). Realizamos saídas da Escola com o grande objetivo de os ajudar na sua orientação espacial e autonomia para se situarem e reconhecerem trajetos, passadeiras, sinais de trânsito e vária sinalética de orientação pessoal, e estabelecimentos de necessidades básicas (Farmácias, Centros de saúde, …). Estabelecemos protocolo com a Plataforma da EDP no Projeto Escolas Solidárias em parceria com a Educadora Social, no âmbito de sensibilizar a nossa escola para a aceitação da diferença, sob o tema “Humanizar a Escola”.

Há ainda a promoção do trabalho cooperativo entre as docentes da educação especial, pais e encarregados de educação, com vista ao sucesso educativo de todos os alunos com necessidades educativas especiais.

BIOLOGIA

A avaliação de apoio prestado pelas Professoras de Educação Especial tem um caráter sistemático e contínuo assumindo uma dimensão marcadamente formativa. A mesma ocorre individualmente, pois cada aluno apresenta um ritmo próprio e devem ser observados os objetivos que foram estabelecidos para cada um. Consiste num processo de observar, registar e procurar tornar o aluno protagonista da sua aprendizagem de modo que vá tomando consciência do que já conseguiu e das dificuldades que apresenta e como as vai ultrapassar.

As Professoras de Educação Especial contribuíram para a diversificação de estratégias e métodos educativos de forma a promover o desenvolvimento e a aprendizagem. Foram trabalhados, nas várias sessões, a atenção/concentração; a realização das tarefas propostas; o empenho e a participação nas atividades, o reforço das aprendizagens académicas; pesquisa na internet para trabalhos nas disciplinas; aplicação de técnicas de estudo com os alunos; sistematizar as matérias dadas nas aulas, construção de resumos para estudo.

A professora de Educação Especial, colaborou com os conselhos de turma na definição e implementação de estratégias para os alunos com Necessidades Educativas Especiais de caráter permanente, assim como participou nas reuniões dos conselhos de turma, tanto nas intercalares, como nas finais de período.

No início do ano letivo, 2017/2018, os alunos já sinalizados terão de ser reavaliados, assim como os alunos que nos irão chegar de novo.


EM construção

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da ESIC para a vida

Nesta secção contamos histórias de ex alunos da ESIC e os caminhos académicos e/ou profissionais que entretanto percorrem.

Ana Rita, Terapeuta Ocupacional

Tenho 24 anos e sou natural do Porto. Ex-aluna da ESIC e da Escola Secundária Carolina Michaelis, licenciei-me em Terapia Ocupacional em setembro de 2018, pela Escola Superior de Saúde do Porto.

As atividades extracurriculares e o envolvimento voluntário em grupos de intervenção social acompanharam-me sempre ao longo do meu período estudantil, acabando por terem uma forte influência na escolha da profissão que hoje exerço.

No grupo de jovens do qual fiz parte, fazíamos um dia de visitas domiciliárias a doentes, desenvolvemos um banco de ex-plicações gratuitas para crianças em idade escolar e, entre outras coisas, fazíamos recolhas de géneros alimentares e vestuário. Uma vez por ano, geralmente nas férias de verão, organizávamos uma semana dedicada a uma comunidade previamente escolhida. Durante esse tempo, tínhamos um dia dedicado aos idosos, outro às crianças, e outro aos doentes. Conhecíamos os costumes culturais da população e desenvolvíamos serões de partilha e discussão de temas.

O senso comum associa o voluntariado à prestação de um serviço não remunerado. No entanto, quem o experiencia sabe bem o quão gratificante e enriquecedor ele pode ser. O ser-se voluntário, transcende a linha do “ir a troco de nada”, na verdade recebemos sempre mais do que aquilo que damos e damos sempre mais do que estávamos predispostos a dar.

Se tens interesse em explorar problemas como por exemplo a solidão de idosos, o abandono de animais, os sem abrigo, deverás juntar-te a associações já organizadas. Contudo, não te esqueças que ser voluntário pressupõe um sentido de entrega, uma disponi-bilidade para servir o próximo, e que começa em coisas tão simples como ajudar um colega de turma com os TPC, colocar o livro a meio da mesa quando reparares que o colega não tem o dele, partilhar apontamentos, ofereceres-te para fazer aquele recado ao professor, até algo tão simples como perguntar lá em casa: “- o que é que é preciso fazer?”.

Lembra-te, nenhum fruto nasce sozinho. Ele precisa da flor e das folhas da árvore, que por sua vez precisa das raízes que se alimentam do solo onde, num dia, algo tão pequeno como uma semente, foi plantada.

De uma das minhas experiências como voluntária num campo de férias para crianças com NEE (necessidades educativas especiais), recordo com carinho uma menina de 10 anos, com dificuldades na comunicação verbal e na locomoção, e do medo que tinha em descer sozinha da carrinha de transporte. Nos primeiros dias peguei nela ao colo e aos poucos, por entre muitas brincadeiras e com alguma paciência, consegui passar de um braço a uma mão, de uma mão a um dedo, até que, ainda que agarrada à carrinha, ela a conseguiu descer sozinha. Nessa mesma semana, ela presenteou-nos com um perfeito sonoro “Olá!”. Tenho o sorriso dela gravado na minha cabeça como se a visse todos os dias.

Partilho convosco este pedacinho de mim para vos dizer o seguinte: não precisam de ser os melhores, não precisam de conhecimentos específicos nem de ter jeito seja para o que for. Tudo o que precisam é de força de vontade, e disponibilidade para partilharem com o mundo um pedacinho do vosso melhor.

No caso do ensino secundário, as disciplinas, de forma autónoma e de acordo com o seu programa curricular, exploram as temáticas do referencial, valorizando, de forma muito significativa, a importância das mesmas para a criação de cidadãos ativos e empenhados no mundo em que vivem.

Tiago, engenheiro mecânico

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ERASMUS

2018/2019


De partida para Valencina de la Conceptión (Sevilha) por André Sousa, Beatriz Carmo, Camila Luzes, Inês Santos, Íris Fernandes, Sara Oliveira e Tiago Vieira



A ESIC participa, mais uma vez, num projeto europeu Erasmus+, até 2020.

Os países parceiros são, desta vez, Itália, Espanha e Grécia. O tema do projeto “Criss Crossing Cultures” são as Rotas Culturais de Conselho Europeu, neste Ano Europeu do Património Cultural. Cada país estudará uma Rota Cultural específica. Em Portugal, a “Rota Transromânica”; em Espanha, “O Legado Andaluz”; em Itália, a “Rota das Oliveiras”; e na Grécia, a “Rota dos Fenícios”.

A primeira visita com alunos decorrerá de 12 a 18 de maio, a Valencina de la Conceptión (Sevilha) – Espanha, para o conhecimento mais aprofundado do “Legado Andaluz”.


As turmas envolvidas são o 8º F, o 9º E e o 10º H. Os alunos que participarão nesta visita serão selecionados de acordo com os seguintes critérios:

- Interesse pelo projeto – 15 pontos

- Proficiência em inglês – 10 pontos

- Performance escolar – 5 pontos


A coordenadora,

Carla Leal



2017/2018


A ESIC é escola parceira da Rjukan Videregående skole (Noruega) e receberá em fevereiro a visita de dois professores, no âmbito do projecto "Heritage and Development in Education".

Foi submetida uma candidatura para mobilidade individual, de visita à escola parceira, no próximo ano lectivo, que aguarda aprovação.

A ESIC vai também candidatar-se a um projecto KA2, com a duração de dois anos, que se encontra em fase de candidatura.


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ESIC Ciências

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