No âmbito do estudo de Fernando Pessoa e seus heterónimos, os alunos dos 12os anos convidaram e o Sr. Engenheiro aceitou o convite.
No dia 9 de dezembro, a manhã chuvosa antecipava as palavras do heterónimo pessoano: “Névoa, chuvas, escuros – isso tenho eu em mim.”.
Porém, esperado com alguma curiosidade e uma certa reverência (sempre é Fernando Pessoa!), não houve “escuros” que prevalecessem no auditório da escola, onde recebemos António Domingos, o ator/performer que, encarnando Álvaro de Campos, “conversou” com a plateia sete poemas do heterónimo – mostrando que a poesia é diálogo, é reconhecermo-nos no outro, é universalidade de estados de alma.
Este Campos, o reflexivo e intimista, confessou-nos a sua náusea e vontade de “comer o universo para o despejar na pia”, afirmou-se “doido, com todo o direito a sê-lo” e assumiu-se “ridículo, absurdo”, tecendo considerações sobre a vida, a morte, a inutilidade de tudo… Tudo isto, enquanto não disfarçava o “flagrante delitro”…
Uma atividade muito interessante e relevante para a compreensão de mais esta “persona” de Fernando Pessoa.
Professora Paula Coelho




